O PROJETO

O projeto Vidas Refugiadas pretende dar visibilidade e voz às mulheres que pedem refúgio e vivem hoje no Brasil.

O tema do refúgio vem sendo abordado em pesquisas acadêmicas e relatórios midiáticos, sempre a partir da perspectiva masculina e raramente com foco na mulher. Por ser minoria, diante das 60 milhões de pessoas deslocadas, a mulher refugiada acaba herdando a invisibilidade já habitualmente experimentada pelas mulheres brasileiras, fazendo com que suas dificuldades sejam menos ouvidas, suas particularidades pouco respeitadas e sua feminilidade completamente ignorada. O resultado desse processo de anulação limita seu acesso a direitos, amplia sua exclusão social, impede sua plena integração e provoca uma perigosa repetição das violações já vivenciadas em seu país de origem.

As refugiadas são mulheres que não tiveram outra opção senão abandonar suas histórias e locais de pertencimento para salvar sua vida ou preservar direitos fundamentais, como a liberdade. Diferente da imigração que é facultativa e motivada por razões diversas, o refúgio é a única rota de salvação para aquelas que sofreram diferentes tipos de violência. Essa violência pode acontecer de forma generalizada, como na Síria, ou individualmente contra mulheres que passam a ser perseguidas em razão da sua posição social, costumes religiosos, identidade sexual ou apenas pelo fato de ser mulher.

Em territórios que experimentam situações de guerra e conflito armado, constatamos que as mulheres são sempre as que sofrem as mais graves violações e a maior exposição. Exposição da sua casa, da sua família e do seu próprio corpo que, não raramente, passa a ser mera moeda de troca no conflito. A objetificação dessas mulheres passa, muitas vezes, desapercebida pelas autoridades internacionais e poucas providências são tomadas para garantir a manutenção da sua dignidade. Em busca de salvar sua própria vida, essa mulher precisa fugir e é levada a tomar decisões duras, envolvendo a manutenção da sua liberdade, o futuro dos filhos e a preservação da sua família.

Distante do seu país de origem, o processo de inserção em uma sociedade completamente distinta é doloroso e gradual. Os desafios encontrados nessa nova realidade, somados à insuficiência de políticas públicas adequadas, provocam um cenário de instabilidade que prejudica o recomeço que pretendia viver no país de acolhida. O sentimento de perda, a nostalgia, as incertezas e a vulnerabilidade experimentada, evidenciam o seu não pertencimento àquele novo local, mas, regressar tampouco é uma opção.

Confrontados com esse dilema e no intuito de auxiliar na integração das mulheres refugiadas que, hoje, vivem no Brasil, desenvolvemos o projeto Vidas Refugiadas, que pretende abrir um espaço único para que elas possam se expressar, apontando os obstáculos do seu novo cotidiano e os caminhos trilhados na busca pela sobrevivência.